Esquece-me
Quando a saudade bater à tua porta,
Busque em teu ser a essência que deixei,
Talvez lá ainda eu habite, se ainda te importa,
No âmago do teu peito, onde tanto te amei.
Se, porém, meus vestígios não encontrares,
Peço-te um favor de antemão:
Aceita o desfecho, deixa-me partir,
Esquece-me, em tua vida, sem hesitação.
O que outrora vivemos hoje é passado,
Caminhos divergentes nos levaram além,
É hora de seguir em frente,
Deixando para trás o que já não convém.
Ergue a fronte, com força e coragem,
Despeça-te das lembranças que ficaram,
A liberdade te espera, dia após dia,
E as mágoas, suaves brisas as dissiparam.
Se a saudade persistir, busque-me em ti,
Nas sombras das alegrias que compartilhamos,
Mas se a busca for vã, aceita, assim como eu,
E deixa-me descansar em sonhos que já findamos.
— Antônio Reis